Usina Nuclear de Chernobyl e a cidade fantasma de Pripyat: visita de um dia à zona de exclusão de Chernobyl
Em 26 de abril de 1986, ocorreu uma explosão no reator número 4 da Usina Nuclear de Chernobyl, liberando material radioativo para o ar e causando o maior desastre nuclear já registrado na história.
Com centenas de mortes como resultado dos altos níveis de radiação, uma zona de exclusão de 30 km foi estabelecida em torno da área de desastre de Chernobyl, que ainda permanece até os nossos dias. Pripyat, uma cidade de 50.000 habitantes construída apenas alguns anos antes para os trabalhadores da usina e suas famílias, teve que ser evacuada em poucas horas. Seus habitantes nunca voltariam para casa.
Hoje, o acesso à zona de exclusão de Chernobyl ainda é altamente restrito, mas você pode facilmente obter uma permissão participando de uma das visitas guiadas que partem diariamente de Kiev. Confira minha experiência visitando a zona de exclusão de Chernobyl e a cidade fantasma de Pripyat para descobrir os resultados do maior acidente nuclear de todos os tempos!
Como visitar Chernobyl e Pripyat: visita guiada de kiiev
A única opção para visitar a zona de exclusão de Chernobyl é fazer uma visita com uma das empresas que têm permissão para entrar. Existem algumas opções diferentes, mas depois de muita pesquisa, decidi reservar a visita de 1 dia a Chernobyl e Prypiat com GetYourGuide.
A Gamma Travel é uma operadora de turismo local ucraniana, especializada em visitas à zona de exclusão de Chernobyl. Eles oferecem visitas individuales e em grupo, bem como visitas de vários dias para os turistas mais intrépidos que incluem uma noite na cidade de Chernobyl.
A visita inclui todas as permissões para acessar a zona de exclusão, então você não precisa se preocupar com toda a papelada! Eu tive um guia em inglês comigo durante toda a visita, o que foi incrivelmente útil para obter algumas informações adicionais sobre Chernobyl, aprender como a radiação funciona e garantir que eu sempre ficasse nas áreas seguras.
A visita começou às 7h30 da manhã, fora do Hotel Dnipro, em Kiev, com partida às 8h. Antes de iniciar a visita, nossa guia precisava verificar nossos passaportes para garantir que todos os detalhes correspondessem às nossas licenças. O acesso à zona de exclusão requer um controle de segurança muito rigoroso. Não esqueça de levar seu passaporte!
A visita leva cerca de 12 horas e para em algumas das áreas mais relevantes da zona de exclusão de Chernobyl, incluindo:
Embora Chernobyl esteja se tornando um destino muito na moda, especialmente depois da série ‘Chernobyl’ da HBO sobre o desastre, a visita de 1 dia a Chernobyl e Prypiat foi tratada com o maior respeito pelas vítimas do desastre e por todos os heróis que o continham. Não achei os lugares que visitamos muito lotados de visitantes, mas é verdade que havia mais pessoas do que você esperaria em um lugar tão remoto.
História de Chernobyl
Usina Nuclear de Chernobyl
Em 26 de abril de 1986, às 1h23 da manhã, foi realizado um teste na Usina Nuclear de Chernobyl, na RSS da Ucrânia, para verificar se o reator continuaria funcionando em caso de falta de energia.
Para o teste, o reator deveria ter operado com uma capacidade de 25%, no entanto, devido a um erro, a energia caiu abaixo de 1% e, quando aumentou, o reator atingiu uma temperatura acima de 2000 graus.
Isso causou uma enorme explosão que levantou o teto de 1000 toneladas do reator número 4, liberando material radioativo para a atmosfera.
Usina nuclear após a explosão
A URSS escondeu o acidente pro mundo ocidental até que uma nuvem radioativa começou a se espalhar pela Europa e foi detectada algumas horas depois por outra usina nuclear na Suécia, a mais de 1000 km de distância.
Pripyat, uma cidade com mais de 50.000 habitantes construída perto da fábrica para abrigar seus trabalhadores e suas famílias, foi evacuada um dia depois.
Eles tiveram uma hora para embalar seus pertences básicos com a promessa de voltar três dias depois.
Primeiro sarcófago
No entanto, uma zona de exclusão de 30 km foi criada em torno de Chernobyl e os habitantes de Pripyat e dezenas de outras comunidades nunca voltaram para casa.
Em 2006, um novo sarcófago começou a ser construído em torno do reator para conter a radiação pelos próximos 100 anos.
Hoje, passar um dia em Chernobyl te expõe a menos radiação do que um vôo transatlântico, mas parte do material radioativo em torno da usina levará mais de 20.000 anos para desaparecer.
É seguro visitar Chernobyl e pripyat?
Visitar Chernobyl e Pripyat é perfeitamente seguro.
É verdade que a zona de exclusão de Chernobyl ficou altamente contaminada após a explosão, com estrôncio-90, césio-137, plutônio e amerício liberados na área que permanecerão ativos pelos próximos milhares de anos. No entanto, mais de meio milhão de pessoas ajudaram a limpar a zona de exclusão após o acidente, o que reduziu e conteve muito os níveis de radiação.
Hoje, visitar Chernobyl por um dia vai te expor ao mesmo nível de radiação que você receberia durante um voo de 1 hora e 3000 vezes menos que a radiação que você receberia durante uma TC.
No entanto, partículas radioativas ainda estão por todo lugar, e é por isso que os visitantes precisam usar roupas que cubram seu corpo (incluindo braços e pernas) e é estritamente proibido tocar em qualquer coisa ou levar objetos com você. Tirar qualquer coisa da zona de exclusão, seja um objeto ou até uma pedra, é um crime na Ucrânia, e há vários testes de radiação durante e após a visita para garantir que isso seja cumprido.
Os humanos não conseguem sentir ou detectar radiação, então você precisa usar um contador Geiger para verificar os níveis de radiação ao seu redor. Na visita de 1 dia a Chernobyl e Prypiat, o guia terá um contador Geiger, mas você também pode alugar o seu próprio por 10 € (approx. R$45). Não se esqueça de reservar com antecedência, pois provavelmente não vai ter mais para alugar no dia da visita como aconteceu comigo.
Entrando na zona de exclusão
Depois de deixarmos Kiev, dirigimos por algumas horas rodeados por nada além de florestas e vegetação. No caminho, nossa guia exibiu um pequeno documentário sobre a história do acidente, incluindo algumas imagens originais das consequências. A radiação era tão alta após o acidente que você pode até 'vê-la' nos vídeos; todas as imagens de vídeo gravadas em torno da zona de exclusão mostram algumas estáticas e distorções geradas pela intensa radiação. Também notei que todas as fotos que tirei durante a minha visita tinham uma qualidade muito mais baixa do que o habitual, não tenho certeza se também devido à radiação.
Após duas horas, chegamos ao posto de controle de Dytiatky, que dá acesso à zona de exclusão de 30 km. A guia entregou a cada um de nós uma permissão para acessar a zona de exclusão, que deveríamos manter com nós durante toda a visita. A polícia no posto de controle também checou o passaporte de todos para garantir que tudo combinasse com a permissão, e eles nos deram um pequeno dispositivo para pendurar em volta do pescoço, que mede a quantidade total de radiação que absorvemos durante a visita. Eles usam o dispositivo apenas para suas próprias estatísticas e para garantir que os visitantes não recebam níveis perigosos de radiação.
O dia estava incrivelmente sombrio e nublado; mal podia ver algo a mais de 10 metros à minha frente. Isso tornou toda a experiência ainda mais sinistra, mas não ajudou muito enquanto esperávamos no frio para checar nossos documentos. Enquanto isso, tivemos tempo livre para beber um café e comprar uma lembrança nos dois estandes localizados pouco antes do posto de controle. Tirar fotografias do posto de controle é estritamente proibido.
Havia vários operadores turísticos com pelo menos algumas centenas de pessoas esperando para atravessar o posto de controle, mas todo o processo não levou muito mais que meia hora. Quando todos estivemos prontos, embarcamos novamente em nossa van e continuamos dirigindo por alguns minutos mais fundo na zona de exclusão.
Permissão pra entrar na zona de exclusão
Estrada no ponto de controle
Ruinas na zona de exclusão
Vilarejo abandonado de Zalissya
A primeira parada dentro da zona de exclusão de Chernobyl foi o vilarejo abandonado de Zalissya, uma comunidade que foi completamente evacuada em maio de 1986.
A vila estava localizada a 30 km da usina nuclear de Chernobyl e tinha uma população de 3.200 habitantes. Após o desastre, eles foram forçados a deixar suas casas e todos os seus pertences para trás. Eles foram informados de que voltariam depois de alguns dias, no entanto, isso nunca aconteceu.
Ao chegar ao vilarejo, você nunca pensaria que era habitado há só 30 anos. Hoje, a vegetação tomou conta e envolve todas as casas e construções. As ruas agora se tornaram uma floresta, onde apenas algumas pedras no chão lembram o que antes era a rua principal do vilarejo.
Apesar de seu atual estado de abandono, muitas das casas em Zalissya ainda podem ser acessadas. Nossa guia nos deu um tempo livre, então nos aventuramos na vila por conta própria e começamos a explorar algumas das casas. À medida que você se aprofunda no vilarejo, as casas são quase tragadas pela vegetação, que há décadas recupera os poucos edifícios que ainda permanecem em pé.
A maioria dos edifícios está desmoronando, portanto, você deve ser extremamente cuidadoso sobre onde pisar e para não tocar em nada. Dentro das casas, você pode encontrar centenas de objetos originais que foram deixados para trás por seus proprietários, de documentos, livros e jornais a ursinhos de pelúcia, discos de vinil e todo o tipo de eletrodomésticos.
Você realmente sente como os habitantes de Zalissya tiveram que deixar literalmente tudo para trás e abandonar o que havia sido sua casa por anos em apenas uma questão de horas.
Chernobyl
A usina nuclear de Chernobyl recebeu o nome da cidade de Chornobyl, conhecida como Chernobyl em russo, localizada a apenas 15 km ao sul da usina. Quando o acidente ocorreu, a cidade tinha uma população de 14.000 habitantes.
Em 5 de maio de 1986, 9 dias após a explosão, os 14.000 habitantes de Chernobyl foram evacuados. A grande maioria nunca voltou para suas casas, fazendo de Chernobyl uma das muitas cidades fantasmas da região após o acidente.
Hoje, um pequeno número de pessoas ainda vive em Chernobyl. Alguns deles voltaram para suas casas alguns anos após o acidente, mas a maioria deles trabalha na Agência Estatal da Ucrânia na Administração da zona de exclusão, que foi transferida de Pripyat para Chernobyl após o acidente. Os turistas em uma visita de vários dias a Chernobyl também podem passar a noite em um hotel ainda aberto na cidade.
Nossa única parada em Chernobyl foi o letreiro na entrada da cidade. Passamos apenas por Chernobyl, avistando as únicas duas lojas e o hotel ainda operando na cidade, mas fora isso, o lugar estava completamente deserto.
Letreiro na entrada de Chernobyl
Não muito longe da cidade de Chernobyl, há uma pequena exposição onde você pode ver alguns dos veículos e robôs originais usados durante o acidente.
Após o acidente, a tecnologia robótica teve que ser projetada para limpar a área e eliminar os efeitos negativos da alta radiação. Os liquidatários usaram cerca de 15 diferentes sistemas robóticos controlados remotamente para descontaminar o território que agora são exibidos para nos lembrar dessas ações heróicas.
DUGA radar
Muitas pessoas não sabem que Chernobyl abrigou uma base militar secreta durante a URSS. A área foi descoberta somente após a queda da União Soviética e o acidente em Chernobyl.
Quando você entra na base, uma estátua de Lenin e uma estrela de cinco pontas te transportam de volta no tempo. Mas da entrada, você nunca poderia imaginar o que essa base militar esconde: nos anos 80, durante a Guerra Fria, os soviéticos construíram um sistema de radar militar para rastrear mísseis balísticos do inimigo, conhecido como Duga; uma imensa construção com 150m de altura e 550m de comprimento escondida na floresta que só pode ser vista à medida que você se aproxima.
Prédio na base militar
Estatua de Lenin
Estrela de cinco pontas
Radar Duga
O radar era tão poderoso que, a partir de 1976, um novo sinal de rádio foi detectado em todo o mundo e começou a interferir nas transmissões, rádios e comunicações oceânicas e de aviação. Muitos países reclamaram desse sinal, mas suas origens foram desconhecidas por anos.
Como as interferências soavam como um ruído agudo e repetitivo que apareceu do nada, ganhou o apelido de pica-pau russo. Mas, de acordo com nossa guia, a verdade é que o Duga nunca funcionou como o esperado, apesar dos milhões de dólares gastos em sua construção.
A construção é tão grande e o dia estava tão nebuloso durante a minha visita que o radar parecia desaparecer entre as nuvens.
Chernobyl Nuclear Plant
O momento mais esperado da visita foi a parada na usina nuclear de Chernobyl, no entanto, antes de nos aproximarmos do reator, paramos para almoçar na cantina de Chernobyl.
A cantina era usada por trabalhadores da usina nuclear de Chernobyl até a explosão. Hoje, a cantina permanece em operação para alguns dos poucos trabalhadores que restam na zona de exclusão, mas principalmente para turistas.
Antes de acessar a cantina, todos os visitantes precisam passar por um detector de radiação para garantir que seus níveis de radiação não sejam muito altos. Felizmente para mim e para todos os outros membros do meu grupo, conseguimos passar sem problemas, mas a verdade é que hoje o nível de radiação é tão baixo que você não vai ter nenhum problema se estiver apenas visitando um dia. Nosso guia nos falou sobre algumas exceções em grupos anteriores, principalmente sobre alguns visitantes que pisaram em um pedaço de grama particularmente radioativo que ficou preso nos sapatos, mas nada que uma lavagem rápida não resolvesse.
Nosso almoço estava incluído na visita e a comida não estava tão ruim assim. Todos os produtos são trazidos de fora da zona de exclusão; portanto, é perfeitamente seguro comer em Chernobyl. A comida era bastante simples e sem graça, semelhante ao que você encontra no restaurante de um hospital, mas suponho que não foi tão ruim considerando a localização.
Prédio abandonado
Teste de radiação
Cantina
Mas uma visita a Chernobyl não seria completa sem uma parada no reator número 4, o centro da explosão em 1986. Os visitantes podem chegar a até 250 metros do reator, onde um monumento às vítimas foi erguido.
24 dias após o acidente, um sarcófago começou a ser construído para reduzir e conter os níveis de contaminação, cobrindo a área mais perigosa da usina. O resultado foi uma construção maciça de aço e concreto que trancou mais de 200 toneladas de lava radioativa, 30 toneladas de poeira altamente radioativa e mais de 16 toneladas de urânio e plutônio.
No entanto, essa medida de emergência não foi suficiente para conter a radiação por muito mais tempo devido à sua deterioração constante. Em 2004, foi iniciada uma competição internacional para construir um novo sarcófago que cobriria a construção original. O sarcófago que vemos hoje foi concluído apenas em 2019, e os especialistas esperam que ele contenha a radiação do reator número 4 pelos próximos 100 anos.
Desde a instalação do segundo sarcófago, os níveis de radiação diminuíram drasticamente. Alguns anos atrás, os visitantes podiam permanecer no ponto de observação apenas por alguns minutos por motivos de segurança, mas hoje essas restrições não estão mais em vigor. Nosso contador Geiger marcou menos de 1 microsievert por hora, o que não é muito maior que a radiação de fundo em qualquer cidade grande e muito menor que a quantidade de radiação que você recebe em um voo internacional. Hoje, a principal fonte de radiação em Chernobyl é o solo, e é por isso que viver na zona de exclusão ainda é considerado um grande risco.
Usina nuclear de Chernobyl
Pripyat
Em 1970, uma nova cidade chamada Pripyat foi fundada a 20 km da usina nuclear de Chernobyl. Foi nomeada após o rio Pripyat, nas proximidades, e a cidade foi criada principalmente para abrigar os trabalhadores da fábrica e suas famílias.
Pripyat tornou-se uma cidade muito próspera, com todo tipo de mercadorias, bem acima do padrão de vida dos tempos soviéticos. Antes do desastre, tinha uma população de quase 50.000 habitantes com uma idade em média de 26 anos.
Na manhã seguinte ao acidente, não mudou muita coisa em Pripyat. Seus habitantes continuaram suas vidas normais, sem saber o que acabara de acontecer a alguns quilômetros de distância. Como a usina nuclear era administrada pelas autoridades russas, o governo da Ucrânia não recebeu as notícias sobre o acidente em breve para alertar a população.
Isso mudou quando, poucas horas depois, mais e mais pessoas em Pripyat começaram a ficar doentes, tossindo, vomitando e sentindo um forte gosto metálico na boca. Um dia depois, em 27 de abril, dezenas de ônibus chegaram a Pripyat e toda a população de quase 50.000 pessoas recebeu uma hora para evacuar a cidade. Eles foram instruídos a trazer apenas o essencial, pois seriam evacuados por apenas 3 dias. No entanto, toda a população de Pripyat nunca voltou para casa.
No dia seguinte, a população que morava a 10 km da usina nuclear de Chernobyl foi evacuada e a área foi expandida para 30 km apenas alguns dias depois. Essa zona de exclusão de 30 km ainda permanece até nossos dias.
Hoje, Pripyat é uma cidade fantasma, onde ninguém vive mais. Suas grandes avenidas e edifícios modernos tornaram-se ruínas, tomadas pela natureza.
A maioria das construções do que antes era uma cidade animada ainda hoje se mantém, no entanto, entrar nos prédios é Pripyat não é mais permitido devido ao alto risco de colapso. Infelizmente, locais icônicos de Pripyat, como sua piscina coberta e a sala cheia de máscaras de gás, estão agora fora dos limites para os visitantes. O famoso letreiro na entrada de Pripyat também não está mais acessível devido a alguns trabalhos recentes próximos a ele que liberaram níveis perigosos de radiação ao redor do letreiro.
Um dos edifícios que ainda podem ser visitados, mas apenas de fora, é a escola. Havia 5 escolas diferentes em Pripyat que atendiam sua jovem população. Olhando pelas janelas, ainda é possível ver alguns dos móveis originais, os livros usados pelos alunos, além de alguns brinquedos e até roupas, tudo deixado para trás quando a cidade precisou ser evacuada em menos de uma hora.
Por quase 20 anos, Pripyat teve seu próprio time de futebol, o FC Stroitel Pripyat. Usando suas cores branca e azul, tornou-se uma das melhores equipes da Ucrânia em meados dos anos 80.
Sua sede era o Estádio Avanhard, com capacidade para mais de 5.000 pessoas. Quando você chega ao estádio, leva um tempo para perceber onde você está. O estádio foi coberto pela natureza, tornando-o reconhecível. A única seção que ainda lembra um estádio é o que resta do estande principal no lado oposto do campo, onde você ainda pode perceber o túnel usado pelos jogadores para entrar no campo.
Estádio Avanhard
Estande principal
Bancadas
Mas o local mais reconhecível em Pripyat é o seu parque de diversões. Com inauguração prevista para 1º de maio de 1986, o parque nunca foi inaugurado devido ao desastre nuclear ocorrido apenas cinco dias antes.
O parque teve um total de 5 atrações; a icônicas roda-gigante de 26m, carrinhos de choque, botes, um paratrooper e um jogo de tiro.
Durante o acidente, os helicópteros que transportavam material radioativo usaram o terreno do parque de diversões para pousar e os liquidatários enterraram a radiação no solo. Por esse motivo, algumas áreas do parque têm níveis especialmente altos de radiação.
Nosso guia nos mostrou um local específico no chão, onde o contador Geiger marcava mais de 6 microsieverts por hora.
Roda-gigante
Detalhe da roda-gigante
Parque de diversões de Pripyat
Restos dos botes
Paratrooper
Carrinhos de choque
Parque de diversões de Pripyat
Ponto altamente radioativo
Eu em Pripyat
Nossa última parada em Pripyat foi a praça principal, cercada por vários prédios públicos e lojas.
As instalações de Pripyat incluíam um grande supermercado com um restaurante. Ao contrário da maioria das outras cidades soviéticas, onde os cidadãos tinham várias restrições para comprar bens e alimentos, os habitantes de Pripyat podiam ir ao supermercado a qualquer momento para comprar suas compras semanais.
Logo ao lado está o Palácio da Cultura Energetik, o antigo palácio da cultura de Pripyat. Na União Soviética, um palácio da cultura era um centro onde os cidadãos podiam se reunir para atividades artísticas, todas elas sob forte propaganda política. O Palácio da Cultura de Pripyat tinha várias comodidades, incluindo cinema, teatro, ginásio ou salas de reunião e dança.
Na praça principal, você também pode avistar um edifício de 16 andares coroado por um martelo e uma foice. Essa costumava ser a principal biblioteca da cidade. No final da praça fica o que resta do Polissya Hotel, um dos edifícios mais altos de Pripyat. Foi construído em meados dos anos 70 para abrigar visitantes da usina de Chernobyl.
Restaurante
Supermercado
Carrinho no supermercado
Palácio da Cultura Energetik
Praça principal de Pripyat
Hotel Polissya
Apenas alguns anos atrás, qualquer visita a Chernobyl também incluiria o hospital, onde todos os afetados pela radiação eram enviados . No entanto, o estado atual do edifício é tão precário que os visitantes não conseguem mais se aproximar dele.
Nossa guia nos contou como o hospital provavelmente entrará em colapso nos próximos anos ou mais cedo. O hospital é um dos prédios mais contaminados de Pripyat; portanto, quando isso acontecer, centenas de partículas radioativas serão liberadas no ar, o que pode levar a cidade de Pripyat a ficar fechada para os visitantes por algum tempo.
Embarcamos em nossa van perto da praça principal e, ao sair da zona de exclusão, nossa guia nos disse como tal vez sejamos uma das últimas gerações a visitar Chernobyl. Mais e mais prédios estão entrando em colapso e os altos níveis de radiação tornam quase impossível restaurar qualquer uma das construções. Como Pripyat não será nada além de ruínas em questão de anos, os ucranianos estão tentando incluir o radar Duga na lista de Patrimônios da UNESCO para obter o reconhecimento e o financiamento internacional necessários para mantê-lo.
Depois de chegar à saída da zona de exclusão, passamos por outro teste de radiação para garantir que nossos níveis fossem seguros. Todos passamos sem problemas, devolvemos o dispositivo que havíamos transportado o dia todo para verificar a quantidade total de radiação que recebemos e voltamos a Kiev em 2 horas.
Zona de exclusão de Chernobyl
Visitar a zona de exclusão de Chernobyl é uma experiência particularmente impactante. Aqui você pode realmente ver o que um desastre natural causado pelo homen pode causar: vidas perdidas, comunidades desfeitas, um rádio de 30 km que não será adequado para a vida pelas próximas centenas de milhares de anos.
Seja depois de assistir à série HBO de Chernobyl ou porque você esteja interessado no pior desastre nuclear da história, certamente não deve perder uma visita à zona de exclusão de Chernobyl se estiver passando alguns dias em Kiev!
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