Guia para visitar EPIC - The Irish Immigration Museum: o que ver, ingressos, preços & mais
A história da Irlanda sempre foi marcada pela imigração: as recentes crises econômicas, décadas de opressão religiosa, a Grande Fome de 1845 que levou um quarto da população a viajar pelos mares até a América em busca de uma chance de sobreviver... por anos, os irlandeses foram forçados a deixar seu país, trazendo consigo sua cultura e herança. Com razão, hoje mais de 25 milhões de pessoas em todo o mundo afirmam ter ascendência irlandesa!
Inaugurado em 2016, o EPIC The Irish Immigration Museum em Dublin oferece uma viagem interativa pela cultura irlandesa em uma incrível exibição de vídeo e áudio, trazendo à vida a história dos 10 milhões de irlandeses que deixaram seu país nos últimos séculos em busca para uma vida melhor.
Confira este post para saber o que esperar da sua visita à que foi escolhida ‘atração turística líder da Europa’!
Planejando sua visita
Endereço: EPIC está localizado no interior do prédio CHQ, em Custom House Quay, Dublin 1. Ver no mapa.
Como chegar: você pode chegar facilmente ao CHQ a pé da maioria dos lugares no centro da cidade, pois fica a apenas 10 minutos a pé a leste da O'Connell Street. Você também pode pegar a linha vermelha do LUAS e descer na George’s Dock, localizada logo atrás do museu. Se você estiver visitando Dublin no passeio turístico hop-on-hop-off do Big Bus, o museu está localizado em frente à parada 29.
Horarios: o museu abre diariamente das 10h às 18h.
Ingressos: a partir de €16,50 por adulto, com descontos disponíveis para crianças, estudantes ou aposentados.
EPIC The Irish Immigration Museum: visita guiada
O EPIC Irish Immigration Museum (Museu da imigração irlandesa) foi inaugurado apenas em 2016 dentro do prédio restaurado CHQ, localizado nas Docklands de Dublin. Apesar de sua recente inauguração, já foi votado como ‘Atração Turística Líder da Europa’ nos World Travel Awards 2019.
Se você comprou seus ingressos online, você só precisará mostrá-los na bilheteria. Você então receberá um 'passaporte' para sua visita; um documento que é um mapa do museu, mas que também pode ser carimbado enquanto você visita todas as diferentes exposições, guiando-o na sua viagem.
Uma vez que o museu é totalmente interativo e a maioria das salas tem touchscreen, todos os visitantes durante a pandemia de COVID-19 recebem um ponteiro para evitar ter que tocar as telas.
GEORGE’S DOCK
CHQ
Entrada ao museu EPIC
A visita ao museu começa com as memórias da terra deixada para trás. A exposição tem imagens das impressionantes paisagens irlandesas: o Ring of Kerry, Giant’s Causeway, Parque Nacional de Killarney, as Montanhas Mamturk de Connemara; todos eles carregados no coração dos imigrantes irlandeses em suas longas viagens a países estrangeiros.
O caráter diversificado de seu povo é um verdadeiro reflexo da história de imigração da Irlanda. Para aqueles que partiram, a Irlanda sempre será sua bela e mitificada pátria.
A próxima sala tem vídeos de pessoas que deixaram a Irlanda no passado, contando suas próprias histórias de esperança e medo enquanto descobrem seu novo futuro e o que ia acontecer com elas em sua nova vida.
Todos os emigrantes passam por um momento decisivo em sua jornada quando deixam sua terra natal, mas ainda não chegaram ao novo país. Sentir esperança e medo é normal, pois uma nova vida está começando para eles em um mundo completamente desconhecido.
Fosse um migrante de 16 anos esperando para ser cadastrado nas instalações de Ellis Island em Nova York ou um rebelde irlandês sendo deportado de navio para a colônia penal na Austrália, muitos deles tinham vidas incertas pela frente.
As pessoas emigravam porque não podiam ficar; porque queriam ir embora, ou uma mistura de ambos. A próxima sala aborda os três elementos que marcaram a história da emigração irlandesa: fome, trabalho e comunidade.
A fome ainda é um assunto emocional na Irlanda, onde a expropriação empurrou as pessoas das terras das quais dependiam para sobreviver e se alimentar. Quando o país passou por períodos de extrema pobreza, como a Grande Fome de 1845-1849, a necessidade de viajar para sobreviver e encontrar trabalho era premente. Outras vezes, oportunidades melhor pagas surgiam em outros lugares.
A comunidade também incentivou muitos irlandeses a migrar. Algúns irlandeses viajavam para áreas específicas onde outras pessoas de sua cidade natal tinham se estabelecido, mas muitos outros tiveram que partir sob a pressão de suas famílias, muitas vezes em desgraça.
A pobreza não foi a única razão pela qual as pessoas tiveram que sair. As opressivas leis e normas sociais forçaram muitas pessoas a deixar a Irlanda por séculos. As Leis Penais foram bem-sucedidas em quebrar a riqueza e o status da população católica, e muitos não conseguiram tolerar ficar lá.
Aqueles que se rebelavam contra o regime eram deportados para as colônias penais. O transporte era decidido pelos tribunais por todo tipo de crime. Era preferível à pena de morte, mas a longa viagem que levava a um período de trabalhos forçados no outro lado do mundo era perigosa, e muitos deles nunca voltaram.
Após a criação do estado irlandês em 1922, muitas dessas questões desapareceram, mas nem todos os filhos da nova República foram igualmente respeitados. Mães solteiras foram mandadas para o exterior com seus filhos, enquanto a comunidade LGBTI+ lutava contra a lei, com a homossexualidade sendo descriminalizada apenas em 1993, assim como contra o estendido preconceito social.
A verdade é que havia tantos motivos para partir quanto pessoas fizeram essa viagem. Alguns deles tiveram que emigrar por pobreza ou necessidade de trabalhar, enquanto outros descobriram que o Estado ou a sociedade da época impossibilitavam sua permanência. Não importa por que eles foram embora, mas eles levaram a Irlanda com eles para o resto do mundo.
Os migrantes irlandeses estabeleceram-se em todas as regiões, causando um impacto em todas as áreas da vida, desde a política e os esportes às artes. Os irlandeses que emigraram e seus descendentes moldaram o desenvolvimento de muitos países ao redor do mundo, ganhando eleições, liderando revoluções, inventando e explorando. Sem esquecer da rica cultura irlandesa, que influenciou o mundo e como os irlandeses são vistos.
Nos últimos anos, os homens e mulheres irlandesas tornaram-se importantes contribuintes da ciência, estudando desde estrelas e nebulosas até partículas subatômicas. A próxima sala da exposição, uma das mais futurísticas e, na minha opinião, a mais legal, cobre todos esses cientistas irlandeses que estão ajudando a moldar a forma como entendemos o mundo.
Uma delas foi Jocelyn Bell Burnell, de Belfast, a primeira pessoa a observar e analisar pulsares de rádio; ou Ernest Shackleton de Co. Kildare, líder de expedições heróicas à Antártica.
Os irlandeses também mudaram o mundo por meio da invenção ou inovação. Afinal, o primeiro submarino foi construído por Robert Fulton para Napoleão Bonaparte, enquanto o estetoscópio moderno foi desenvolvido pelo médico irlandês Arthur Leaned.
A longa tradição da diáspora, principalmente por motivos ideológicos, garantiu que os irlandeses construíssem um histórico notável de envolvimento na política e participação cívica no seu novo lar. A herança irlandesa é um símbolo para muitos políticos que usam com orgulho, acreditando que isso pode lhes dar uma vantagem nos votos.
A presidência dos EUA é o caso perfeito de envolvimento eleitoral irlandês. Pelo menos 22 presidentes podem reivindicar ascendência irlandesa, incluindo o Barack Obama.
No entanto, ganhar votos não era a única maneira de transformar seu novo país. Em outros lugares, os irlandeses lutaram pelos direitos sociais. Mother Jones e Leonora Barry também foram figuras de destaque do movimento sindical americano no início do século XIX, enquanto John Doherty já teve um papel similar meio século antes no Reino Unido.
O amor irlandês pela música foi levado com eles quando deixaram o país em busca de um futuro melhor. A enorme onda de emigração durante a fome de meados do século XIX trouxe a música e a dança irlandesa para a Grã-Bretanha e EUA. Muitos desses estilos foram modificados ao longo do tempo e agora se tornaram parte do entretenimento norteamericano.
O surgimento das tecnologias modernas no início do século XX, incluindo gravação de som, rádio e cinema, apresentou a arte irlandesa a um público ainda mais amplo.
Talvez a ideia mais duradoura da Irlanda seja que é um país de contadores de histórias e mitos. A Irlanda pode se orgulhar de sua reputação literária, com quatro ganhadores do Prêmio Nobel de Literatura.
Os romances, poesias e peças de teatro da Irlanda se espalharam pelo mundo, trazidos por atores da Irlanda como Pierce Brosnan, ou com ascendência irlandesa, como a princesa Grace de Mônaco, nascida Grace Kelly.
A habilidade dos irlandeses em contar boas histórias também ajudou locutores, comediantes e jornalistas. Nellie Bly, cujo avô emigrou de Derry para os EUA, foi uma importante jornalista investigativa no século XIX. Ela viajou ao redor do mundo em 72 dias, imitando e aprimorando a viagem de Phileas Fogg, o personagem fictício de Júlio Verne.
Mais recentemente, muitos ouvintes consideraram Terry Wogan a voz da da BBC Radio Two, assim como o comentarista da Eurovisão mais conhecido.
Na última sala, você encontrará o Irish Family History Centre (Centro de História da Família da Irlanda), onde os visitantes podem consultar um genealogista profissional para ajudá-lo a encontrar seus antepassados em seu enorme banco de dados.
Você também pode usar suas telas para pesquisar milhões de permissões de imigração ou certidões de nascimento e óbito. Mais de 25 milhões de pessoas em todo o mundo afirmam ter ascendência irlandesa, principalmente na América do Norte, então muitas famílias viajam para a Irlanda todos os anos para pesquisar e localizar seus ascendentes.
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